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Category Archives: Cultura Indiana

Diwali

Diwali

Enquanto escrevo para o blog, posso ouvir os fogos de artifício estourando. O Diwali nem chegou ainda (26/out) e o pessoal já está se empolgando por aqui. Espero que o texto abaixo esclareça alguma coisa para vocês. Na quarta vou tentar fazer umas fotinhos para mostrar como é a celebração e prometo postar para iluminação de todos.

A Índia é um país onde o calendário solar é uma enorme lista de festivais celebrados em seus meses respectivos. Diwali, o festival das luzes, é um deles, e é celebrado no início da estação de inverno na índia, acontece sempre entre o final de outubro e a primeira quinzena de novembro, durante a lua crescente. Pobre ou rico, velho ou jovem, religioso ou ateu, todos na Índia celebram Diwali. Casas são iluminadas, pintadas e especialmente decoradas para a ocasião. Por todo o país, o festival é saudado com o mesmo entusiasmo pelas pessoas, tirando a escuridão e recebendo a luz em suas vidas. Essa comemoração é muito semelhante ao natal ocidental. Entretanto, a celebração do festival tem significado diferente de estado para estado, segundo as lendas e os rituais de cada um deles.

Existem várias suposições sobre a origem desse festival. Alguns alimentam que ele celebra o casamento de Lakshmi com Vishnu.  Em Bengala, o festival é dedicado a Kalí. É também comemorado como o dia em que Rama, de forma triunfante, retornou para Ayôdhya, após ter derrotado Ravana. Nesta mesma data, também, Sri Krishna matou o demônio Narakásura.

A palavra Diwali é proveniente do Sânscrito Dipáwali, dipa significa luz e avali, fila, traduzido, fileira de luzes. Por vezes é transliterado para o inglês como Deepavali. A historia do Diwali, ou mais corretamente Dipáwali, é repleta de lendas, baseadas nos Puránas. O tema central dessas lendas está na vitória do bem sobre o mal, mas cada história varia um pouco na forma da sua apresentação e conteúdo. A origem do Dipáwali remonta à proto-história, logo, de tradição predominantemente oral. E, por algum mistério, a tradição desta celebração épica continua viva há milhares de anos.

O épico:

De acordo com o Rámayana (caminho de Ráma), o Dipáwali comemora o retorno de Ráma (Ráma é um dos avatares de Vishnu), o filho mais velho de Dasharatha de Ayôdhya, do seu exílio com Sítá e seu irmão Lakshamana

Dasharatha, teve três esposas Kôshalayá, Kêykayí e Sumitrá e quatro filhos Ráma, Bharata, Lakshamana e Shatrughan. Ráma foi o filho da rainha Kôshalayá e Bharata foi o filho da Rainha Kêykayi. Kêykayi desejava que Bharata fosse o próximo rei, enquanto o rei Dasharatha desejava que fosse seu filho mais velho. Mas a ciumenta Kêykayi fez uso de dois desejos que o rei Dasharatha tinha lhe concedido e enviou Ráma para o exílio nas florestas, por um período de catorze anos. Durante esse tempo, Ráma lutou e venceu tênues batalhas no sul, que separa o sub-continente Indiano, (acredita-se que seja onde hoje se localiza o Srí Lanka) matando Ravana, um rei demoníaco, que tinha violentamente tomado, como esposa, Sítá. Diwali marca sua volta vitoriosa para seu reino junto com Hanuman, o Vanar (general) que o ajudara a alcançar sucesso.

A população de Ayôdhya iluminou toda a cidade com dipika (lamparinas a óleo) e fogueiras para celebrar o retorno de seu rei.

Na época devia ser um espetáculo magnífico de se ver, pois não existia luz elétrica e cada casa era iluminada por uma ou várias dessas lâmpadas; nas ruas, fileiras de fogueiras foram acesas para recepcioná-los. Esta celebração ocorre 20 dias após o dusêra, no amavashya, o 15º dia mais escuro do mês Hindu, na noite da lua nova Ashwini (áshô) (outubro / novembro).

O mantra do Diwali:

Ayôdhyavasi Rám, Rám, Rám

Dasharathánandana Rám

Pathita pavana janaki jívana Sítá môhana Rám

As pessoas expressam sua felicidade acendendo diyas ou dipikas de barro ou ferro e decorando as casas para dar as boas vindas a Lakshmi, deusa da riqueza e prosperidade, explodindo rojões e convidando o próximo para suas casas, para banquetes grandiosos. A iluminação de lâmpadas é uma forma de pagar a cortesia à divindade, para realização de saúde, riqueza, conhecimento, paz e fama, e isto também expressa bondade. É uma época que marca o começo do Novo Ano Hindu, como um novo começo para tudo.

Esse é apenas um dos aspectos desse festival lendário de quatro dias de duração e cada um dos dias tem uma historia própria para contar, cheia de rituais e mitos.

O Primeiro dia é chamado Dhamtêras ou Dhamtryôdashi, que cai no décimo terceiro dia do mês de Ashwin. A palavra Dhama significa riqueza. Este dia tem grande importância para a comunidade rica. Acreditava-se que, segundo o horóscopo, o filho mais velho do rei Hima morreria no quarto dia de casamento, picado por uma cobra. Assim, naquele quarto dia de casamento sua preocupada esposa colocou lâmpadas inumeráveis em todo lugar e pôs todo o tipo de ornamentos, montes de ouro, e moedas de prata em uma pilha grande na entrada da casa do marido. E ela continuou contando estórias e cantando antigas canções através da noite. Quando Yama, o deus de morte, chegou na forma de uma serpente, o brilho daquelas luzes cegou seus olhos e ele não pôde entrar na câmara do Príncipe. Assim, ele subiu na pilha dos ornamentos e moedas e ficou sentado a noite inteira, escutando os mantras e as canções melódicas. Pela manhã, ele calmamente foi embora. Assim a esposa salva seu marido e, desde então, este dia de Dhamtêras veio ser conhecido como o dia de Yamadipadáma e lâmpadas são postas queimando por toda a noite, em homenagem a Yama, o deus de Morte.

O Segundo dia é chamado Narakachaturdashi ou Chhôti Diwali, que cai no décimo quarto dia do mês de Ashwin.

Este é o dia de pré-diwali, associado à lenda do momento em que Krishna e sua esposa Satyabhama vencem o demônio Naraka. De acordo com os Puránas, Naraka, o filho de Bhudêví, adquiriu de Bráhma uma força descomunal, após uma severa penitência (tapas), desencadeando, imediatamente, um reino de terror na cidade de Kámarupa. Os Dêvas incapazes de combater seu poder invencível recorreram a Krishna. Mas Naraka não poderia ser morto, a não ser pelas mãos de sua progenitora, Bhudêví, que já havia morrido há muito tempo. Porém, Krishna pede a sua esposa, Satyabhama, que, embora não saiba, é a reencarnação de Bhudêví, para ser a sua cocheira durante a batalha com o exército de Naraka. Krishna força um confronto com o próprio Naraka e finge ser mortalmente ferido por uma flecha dele; em desespero, Satyabhama (Bhudêví) pega o arco de seu marido (Krishna) e mira em Naraka, este, se valendo da sua invulnerabilidade, sem saber que ela, era na verdade, a reencarnação de sua mãe, é morto imediatamente, como previa a lenda. Esta lenda conta com uma moral tipicamente indiana, de que mesmo os pais não devem hesitar em punir suas crianças quando estão traçando o caminho errado, e que o bem da sociedade deve sempre prevalecer acima das suas próprias ligações familiares.

O Terceiro dia do festival de Diwali é o mais importante, de Lakshmí – pújá, que é inteiramente dedicado ao propósito da personalidade Lakshmí. Este é o dia de Amavashya, também conhecido pelo nome de Chôpada-pújá. O dia em que Lakshmí anda pela noite escura de Amavashya. Acreditam, também, que neste dia auspicioso, Krishna descartou-se de seu corpo. Uma estória mais interessante, relacionada com este dia, está na narrativa sobre um pequeno menino chamado Nachikêta, que acreditava em Yama, o deus da morte. Neste dia ele encontrou Yama em pessoa e ficou confuso, vendo a calma e sóbria postura dele. Yama explicou ao Nachikêta que, neste dia de Amavashya, somente ao passar pela escuridão da morte, o homem vê a luz da mais alta sabedoria e, então, sua mente pode escapar da escravidão do medo da sua própria mortalidade. Nachikêta compreendeu a importância da vida no mundo e o significado da morte, todas as suas dúvidas foram tiradas e ele participou, por inteiro e de coração das celebrações do Diwali.

Bali Chakravarthya era o rei do mundo e seu poderoso reino havia se transformado em uma ameaça aos Dêvas. Muito preocupados, eles recorrem a Vishnu que, imediatamente, intercede na forma de um avatara anão chamado Vamana. Como Bali era famoso por manter sua palavra a qualquer custo e ser um rei justo para o seu povo, o pequeno Vamana foi visitá-lo para fazer um pedido. – Por favor, ó meu rei, peço-lhe que me conceda um pequeno pedaço de terra que eu consiga cobrir com três passos destas minhas curtas pernas. O rei, como não via nenhuma ameaça no pequenino, deu sua palavra. Este, por sua vez, transformou-se em Vishnu, com sua forma infinita, e no primeiro passo, cobriu os céus, no segundo, o mundo inteiro, e como não havia mais nenhum outro lugar, Bali ofereceu a sua própria cabeça para Vishnu pisar. Assim que Vishnu pisou sobre a sua cabeça, Bali foi projetado para o sub-mundo, Pathala Lôka, mas pelo seu gesto de entrega, Vishnu concedeu que Bali retornasse uma vez ao ano para a terra, para trazer a sua sabedoria, iluminando milhares de lâmpadas para dispersar a escuridão da ignorância e espalhar a radiação do amor e compaixão.

O Quarto dia é o final das Festividades do Diwali, chamado Kartika Shuddhi Padwa, também conhecido, simplesmente, como Padwa ou VarshaPratipáda, que marca a coroação do rei Vikramáditya o Vikarama-samvat começou neste dia.

O dia que segue Amavasya, e é somente nesse dia que Bali sairia de Pathala Lôka para Bhu Lôka, é conhecido também como Bali Padyami.

Ao norte da Índia é executado o Gôvardhana-pújá. O Vishnu Púrana conta que o povo de Gôkula comemorava sempre após o final da estação das monções com um festival dedicado a Indra. Mas, em um ano em particular, Krishna parou as preces oferecidas a Indra que, irado, produziu um dilúvio para submergir Gôkula. Mas Krishna arrancou a montanha Gôvardhana e usou-a como um guarda-chuva salvando a cidade. Este dia é também observado como Annakuta e orações são oferecidas nos templos.

O Quinto dia é uma tradição pós-Diwali, conhecido pelo nome de tikka ou Bhaiya-duj. Este dia é observado como um símbolo de amor entre as irmãs e irmãos. Acredita-se que no dia de Yamarája, o deus de morte visita sua irmã Yamí e ela coloca a forma do auspicioso (swástika) em sua testa, uma pasta feita de açafrão com arroz. Eles comeram, falaram, desfrutaram e trocaram presentes especiais como símbolo de seu amor mútuo. Yamarája anuncia que qualquer um que receber o tilak de sua irmã, neste dia, terá proteção, por todo o ano, para afastar todos os perigos. Desde então, é imperativo ao irmão ir para casa da sua irmã para celebrar o Bhaiya Duj.

 

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Vai um chazinho aí?

Os verdadeiros chás

Para esclarecer algumas polêmicas sobre os chás preto e verde, a entidade inglesa Conselho do Chá lançou uma cartilha, intitulada “Myth Buster” (algo como “Exterminador de Mitos”), com os 10 principais mitos sobre os verdadeiros chás.

1. Contêm mais cafeína do que café
R: Ao contrário. Apesar de conter cafeína, a quantidade presente nesses chás é menor do que no café (50 miligrama por xícara de chá, contra até 115, dependendo do tipo de café

2. Tem efeito diurético
R: Chá não tem efeito diurético, a menos que a quantidade da bebida consumida contenha mais do que 300 mg de cafeína (o que equivale tomar de cinco a seis copos de chá)

3. Infusões de ervas, como camomila e erva-cidreira, são mais saudáveis do que os chás preto e verde

R: Não necessariamente. Os verdadeiros chás são ricos em antioxidantes chamados flavonóides, componentes importantes para uma dieta saudável (podem ser encontrados em frutas e vegetais também). Muitas infusões de ervas contêm ingredientes farmacológicos e antioxidantes considerados benéficos. No entanto, estudos recentes mostraram que os níveis de antioxidantes nos chás preto e verde são maiores do que os presentes nas outras infusões.

4. Chá verde não contém cafeína
R: Os chás verde e preto são feitos a partir da mesma planta, chamada Camellia sinensis. Portanto, os dois contém a mesma quantidade de cafeína.

5. Chá verde é mais saudável do que chá preto
R: Os dois tipos de chá contêm os mesmos flavonóides, em quantidades similares. Esses componentes são antioxidantes poderosos, que diminuem os riscos de doenças cardíacas, derrame e câncer

6. Os chás possuem menos antioxidantes do que frutas e vegetais
R: As quantidades de antioxidantes presentes em frutas e vegetais são bastante conhecidas, ao contrário do que acontece com os chás. A quantidade de antioxidantes presentes em três copos de chá é oito vezes maior do que em uma maçã.

7. Adicionar leite ao chá reduz a ação de seus antioxidantes
R: Estudos mostraram que os flavonóides do chá são absorvidos pelo organismo de qualquer maneira

8. É preciso beber grandes quantidades de chá para usufruir de suas propriedades terapêuticas

R: Uma só xícara de chá contém todos os antioxidantes. Bastam três xícaras por dia para obter resultados positivos para a saúde

9. Chá faz mal para os dentes
R: Estudos recentes mostraram que os flavonóides e do chá ajudam a prevenir a formação de cáries e placas bacterianas nos dentes

10. Beber chá durante as refeições diminui a absorção de ferro pelo organismo

R: O consumo de chá durante as refeições não resulta em menor absorção do nutriente, para pessoas com saúde normal. A absorção de ferro é influenciada por uma série de fatores, que vão desde a quantidade do nutriente, suas características químicas e sua interação com outros componentes alimentares. Para pessoas com deficiência de ferro, os especialistas recomendam evitar a ingestão da bebida durante as refeições

Fonte: Revista Galileu

 

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INOCÊNCIA


O Zen diz que se você abandonar o conhecimento – e dentro do conhecimento inclui-setudo: seu nome, sua identidade, tudo… porque tudo isso lhe foi dado pelos outros, se você abandonar tudo o que lhe foi dado pelos outros, você adquirirá uma qualidade totalmente diferente de ser – a inocência. Isso será uma crucificação da personalidade e haverá uma ressurreição da sua inocência; você se tornará outra vez uma criança, renascida.

Descrição:

O velho desta figura irradia no mundo uma satisfação de criança. Há uma atmosfera degraça à sua volta, indicando que ele está bem consigo mesmo, e com o que a vidalhe proporcionou. Parece que ele está conversando alegremente com o louva-a-deus em seu dedo, como se os dois fossem os maiores amigos. As flores cor-de-rosa que cascateiam em torno dele representam um tempo de deixar-acontecer, de relaxamento e doçura. Elas são uma resposta à sua presença, um reflexo da sua própria natureza. A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil. A inocência das crianças é bela, mas ignorante. Ela será substituída por desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo pode ser um lugar perigoso e ameaçador. A inocência, porém, de uma vida plenamente vivida, tem um quê da sabedoria e da aceitação do milagre da vida em eterna mudança

 

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A Paciência – Osho

A carta nos faz refletir sobre o quanto impacientes e ansiosos nos tornamos, sempre querendo tudo para “ontem”, como diz a expressão popular. A imagem nos mostra que ao longo de todas as fases da lua a mulher permanece paciente, sintonizada com os ciclos da natureza, pois sabe que esta é uma época para permanecer na passividade, deixando que a natureza siga o seu caminho. 

A espera deveria ser nosso grande trunfo, pois somos seres conscientes e sabemos que a existência inteira espera pelo momento certo. Qual é o momento de florescer, e o de deixar que as folhas caiam? Esta resposta é naturalmente sentida por toda a natureza a nossa volta. Mas e nós, como saberemos responder? Nossas ações e reações apressadas, na ânsia amedrontadora pelo futuro incerto, nos esvazia da possibilidade de silenciar, de conectar (com o coração, o Ser), e escutar no presente as respostas mais profundas e verdadeiras.

Perdemos a reverência pelo silêncio e o tempo natural da espera, então o que deveria crescer dentro de nós acaba sendo atropelado – perdendo aos poucos sua autenticidade. A conhecida expressão “quem sabe faz a hora não espera acontecer” acaba sendo usada como argumento para os que não sabem esperar. Eu mesma fiz uso dela num passado remoto e teria uma atitude totalmente diferente no presente. 

Não precisamos nos tornar preguiçosos e passivos diante da vida, mas respeitar os ciclos naturais é o grande aprendizado. “Em silêncio e à espera, alguma coisa dentro de você vai crescendo – o seu autêntico ser. Um dia ele salta e se transforma numa labareda, e a sua personalidade inteira é estilhaçada: você é um novo homem. E esse novo homem sabe o que é uma cerimônia, esse novo homem conhece os sumos eternos da vida”.

Fonte: Osho Zen: The Diamond Thunderbolt Chapter 10

 

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